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Jiǔqū Hóng Méi

Jiǔqū hóng méi · 九曲红梅

O Jiǔqū Hóng Méi é o único chá vermelho entre os vinte e oito chás famosos da província de Zhejiang, merecendo o poético apelido de “um ponto vermelho no mar de verde” (万绿丛中一点红). Este gōngfū hóngchá, com quase duzentos anos de história, nasceu da interseção da tradição fujianense de chá vermelho com o terroir singular…

O Jiǔqū Hóng Méi é o único chá vermelho entre os vinte e oito chás famosos da província de Zhejiang, merecendo o poético apelido de “um ponto vermelho no mar de verde” (万绿丛中一点红). Este gōngfū hóngchá, com quase duzentos anos de história, nasceu da interseção da tradição fujianense de chá vermelho com o terroir singular do subúrbio ocidental de Hangzhou. Suas finíssimas folhas torcidas, lembrando anzóis, sua infusão rubi e seu aroma que evoca a flor de ameixeira vermelha (méihuā) tornaram-no um cartão de visita da cultura do chá do Lago do Oeste (Xīhú), à altura do grande Lóngjǐng.

1. Classificação e Origem:

  • Tipo: Chá vermelho chinês (红茶, hóngchá), completamente oxidado (fermentado).
  • Categoria: Gōngfū hóngchá (工夫红茶, gōngfū hóngchá) — chá vermelho tradicional de processamento artesanal. Integra o rol de chás famosos históricos da China (历史名茶). É o único chá vermelho na lista dos dez chás famosos de Hangzhou, conhecida como “nove verdes e um vermelho” (九绿一红).
  • Origem: China, província de Zhejiang (浙江省, Zhèjiāng shěng), cidade de Hangzhou (杭州市, Hángzhōu shì), distrito de Xīhú (西湖区, Xīhú qū), vila de Shuāngpǔ (双浦镇, Shuāngpǔ zhèn). Principais vilas produtoras: Húbù (湖埠), Shuānglíng (双灵), Zhāngyú (张余), Féngjiā (冯家), Língshān (灵山), Shèjǐng (社井), Rénqiáo (仁桥), Shàngyáng (上阳), Xiàyáng (下阳). Tradicionalmente, considera-se que a melhor qualidade provém do monte Dàwù (大坞山), na vila de Húbù.
  • Coordenadas geográficas: aproximadamente 30°10′ N, 120°05′ L (região de Shuāngpǔ, subúrbio sudoeste de Hangzhou, às margens do rio Qiántáng Jiāng).

2. História e Significado Cultural:

  • História: O Jiǔqū Hóng Méi foi criado durante o reinado do imperador Tóngzhì, na dinastia Qīng (清同治年间, 1862–1874), o que confere à sua história produtiva cerca de cento e cinquenta a duzentos anos. O surgimento do chá está ligado à Rebelião Taiping (太平天国, 1850–1864): quando os combates atingiram as Montanhas Wǔyí, em Fujian, treze famílias de camponeses produtores de chá fugiram para o norte e se instalaram na bacia de Dàwù, atual vila de Shuāngpǔ. Limparam as encostas, plantaram pés de chá e, valendo-se de sua experiência na produção de chá vermelho, passaram a fabricar um novo produto a partir da matéria-prima local. A técnica adaptou-se progressivamente ao terroir, e assim nasceu este singular chá vermelho.

    O chá conquistou reconhecimento rapidamente. Em 1886, recebeu a medalha de ouro na Exposição Internacional de Alimentos do Panamá. Em 1915, o ouro na Exposição Universal do Panamá (巴拿马万国博览会). Em 1926, o prêmio da Exposição Universal da Filadélfia. Em 1928, o prêmio especial na Exposição de Produtos Nacionais Chineses de Xangai, ocasião em que o “sábio do chá” da Nova Era, Wu Juénóng (吴觉农, Wú Juénóng), escreveu em sua análise: “O chá vermelho de Hangzhou é excelente em cor, aroma e sabor; é uma pena que o preço seja tão elevado.” Em 1929, conquistou o prêmio especial da primeira Feira do Lago do Oeste (首届西湖博览会) e foi incluído entre os dez chás famosos da China daquele período.

    Após a ocupação japonesa de Hangzhou, em 1937, a produção entrou em colapso. Os jardins de chá foram abandonados e, no momento da fundação da República Popular da China, a região se encontrava em profunda crise. Nas décadas de 1950 e 1960, iniciou-se uma recuperação gradual: os camponeses organizaram cooperativas, introduziram novas cultivares e mecanização. Contudo, nos anos 1990, em meio ao estrondoso sucesso comercial do Xīhú Lóngjǐng, as autoridades locais promoveram a política de “substituir o vermelho pelo verde” (以红改绿), e o Jiǔqū Hóng Méi viu-se à beira do desaparecimento. O renascimento teve início nos anos 2000: em 2000, a marca comercial foi registrada; em 2003, obteve o certificado de “produto verde de Zhejiang”; e, em 2006 e 2009, a técnica de produção foi incluída, respectivamente, nos registros de patrimônio cultural imaterial de Hangzhou e da província de Zhejiang. Em 2016, o Jiǔqū Hóng Méi foi servido como chá oficial da cúpula do G20 em Hangzhou e, posteriormente, na terceira e quarta Conferências Mundiais da Internet em Wūzhèn (2016, 2017).

  • Nome: O nome é composto por três elementos semânticos. “Jiǔqū” (九曲) — “nove curvas” — remete ao famoso riacho Jiǔqūxī (九曲溪) das Montanhas Wǔyí, de onde vieram os fundadores do chá, e também ao sinuoso ribeirão local de “nove voltas e dezoito meandros” (九曲十八弯) da região de Dàwù. “Hóng” (红) — “vermelho” — indica o tipo de chá. “Méi” (梅) — “ameixeira” — remete ao aroma característico que lembra a flor da ameixeira vermelha. O chá também é conhecido pelos nomes históricos Jiǔqū Hóng (九曲红), Jiǔqū Wūlóng (九曲乌龙) e Lóngjǐng Hóng (龙井红).

  • Significado cultural: O célebre monge budista e calígrafo Hóngyī (弘一法师, Hóngyī fǎshī), mais conhecido como Lǐ Shūtóng (李叔同), enalteceu este chá com os versos: “Em taça de jade branco — cor de ágata; nos lábios rubros e sob a língua — aroma de méihuā” (白玉杯中玛瑙色,红唇舌底梅花香). O Jiǔqū Hóng Méi, juntamente com o Xīhú Lóngjǐng, forma a lendária dupla “um vermelho, um verde” (一红一绿) da cultura do chá do Lago do Oeste, simbolizando a plenitude e o equilíbrio da tradição cha no Hangzhou.

3. Descrição Botânica e Matéria-Prima:

  • Cultivar: Utiliza-se predominantemente a variedade populacional local (群体种, qúntǐ zhǒng) de Camellia sinensis var. sinensis — a mesma população de arbustos que fornece matéria-prima para o Xīhú Lóngjǐng. É um tipo arbustivo de folhas pequenas e médias (灌木型中小叶种), ereto, com densidade média de ramificação. Folhas elíptico-longas, brotos e folhas jovens de cor verde-amarelada, abundantemente pilosos. O peso de cem brotos com três folhas é de aproximadamente 71 g. A planta caracteriza-se pela alta resistência a geadas e pelo crescimento vigoroso dos rebentos.
  • Colheita: O período ideal de colheita situa-se em torno da estação Gǔyǔ (谷雨, “Chuvas de Grãos”, geralmente em 20 de abril), um pouco mais tarde que o do Lóngjǐng. É interessante notar que, diferentemente da maioria dos chás, a colheita muito precoce (anterior ao Qīngmíng) não é considerada a melhor para o Jiǔqū Hóng Méi — a maturação ideal da folha ocorre exatamente por volta de Gǔyǔ.
  • Padrão de colheita: Um broto e duas folhas em fase inicial de abertura (一芽二叶初展, yī yá èr yè chū zhǎn). A folha não deve ser excessivamente tenra nem muito grossa — é justamente esse grau de maturação que garante o equilíbrio característico entre aroma e corpo.
  • Requisitos da matéria-prima: Folha íntegra, limpa, sem danos nem pecíolos grosseiros. Admite-se um intervalo mínimo entre a colheita e o início do processamento. Para os lotes superiores, selecionam-se brotos de árvores antigas com mais de cem anos.

4. Terroir e Características de Cultivo:

  • Relevo e paisagem: A região produtora situa-se na bacia de Dàwù (大坞盆地), cercada por montanhas baixas. O relevo de “nove curvas e dezoito meandros” cria múltiplos nichos microclimáticos. A leste, o território é delimitado pelo rio Qiántáng Jiāng (钱塘江), cuja evaporação gera nebulosidade e neblina constantes nas primeiras horas do dia e ao entardecer.
  • Altitude de cultivo: de 100 a 500 m acima do nível do mar. Os melhores plantios estão nas encostas do monte Dàwù.
  • Temperatura média anual: cerca de 16–17°C. Clima subtropical monçônico, com invernos amenos e verões quentes e úmidos.
  • Precipitação: cerca de 1400–1500 mm anuais, com alta umidade relativa do ar.
  • Solos: solos arenosos ácidos (沙质土壤, pH 4,5–5,5), férteis e bem drenados. As montanhas circundantes são cobertas por floresta densa, que protege os jardins de chá dos ventos e proporciona iluminação difusa.
  • Ecologia: Em 2008, a vila de Shuānglíng, inserida na área de produção, recebeu o status de “Vila Ecológica do Chá de Jiāngnán” (江南生态茶村), o que atesta a excepcional qualidade do ambiente natural.

5. Tecnologia de Produção:

O Jiǔqū Hóng Méi é produzido pela tecnologia clássica de gōngfū hóngchá, que abrange quatro etapas principais. Uma característica marcante é a obtenção da finíssima e sinuosa forma das folhas, o que exige perícia especial na torção e controle rigoroso da fermentação.

  • Murchamento (萎凋, wěidiāo): A folha recém-colhida é disposta em camada fina sobre bandejas de bambu. Durante o murchamento, perde umidade de maneira uniforme, as paredes celulares amolecem e a pressão de turgescência diminui. O aroma herbáceo intenso dissipa-se, e a folha adquire a elasticidade necessária para a torção sem se romper. A duração depende da temperatura e da umidade do ar.

  • Torção (揉捻, róuniǎn): A folha murcha sofre torção mecânica, rompendo a estrutura celular e extravasando a seiva para a superfície. É nessa etapa que se forma a célebre forma de “anzol” do Jiǔqū Hóng Méi: folhas finíssimas e retorcidas, semelhantes a pequenos ganchos prateados, capazes de se entrelaçar em anéis. A torção também assegura a distribuição homogênea das enzimas para a oxidação subsequente. Entre as torções, realiza-se o “desmanche de grumos” (搓散, cuōsàn) — a separação das folhas grudadas.

  • Fermentação/Oxidação (发酵, fājiào): Etapa-chave que determina a cor, o sabor e o aroma do chá vermelho. A folha torcida é acondicionada em condições adequadas de temperatura (geralmente 25–30°C) e umidade. Sob a ação da polifenoloxidase, as catequinas oxidam-se, transformando-se em teaflavinas e tearrubiginas. A folha muda gradualmente do verde para o amarelo-dourado e para o castanho-avermelhado, surgindo um pronunciado aroma floral-frutado. Tradicionalmente empregavam-se métodos naturais de fermentação; os produtores contemporâneos utilizam câmaras automatizadas com controle de temperatura e umidade.

  • Secagem (干燥, gānzào): Realizada em dois estágios. O primeiro — “fogo inicial” (毛火, máo huǒ): secagem rápida a temperatura elevada para inativar as enzimas e interromper a oxidação. O segundo — “fogo pleno” (足火, zú huǒ): secagem lenta a temperatura reduzida para eliminar a umidade residual e desabrochar o aroma. É justamente na etapa do “fogo pleno” que se forma a nota característica que remete a um leve aroma de resina de pinheiro e à doçura do mel.

  • Seleção (分级, fēnjí): O chá pronto é peneirado e separado por frações. Selecionam-se lotes uniformes e homogêneos, com alta proporção de tips douradas.

6. Características Organolépticas:

  • Aparência da folha seca: A marca registrada do Jiǔqū Hóng Méi é sua forma única. As folhas são finíssimas, como fios de cabelo, densamente torcidas em curvas graciosas que lembram anzóis ou abotoaduras prateadas; ao serem colhidas, entrelaçam-se formando “cachos” anelares. A cor é escura, de um negro oleoso com brilho natural (乌润), abundantemente recoberta por uma penugem dourada (金毫).
  • Aroma da folha seca: Rico e multifacetado: notas pronunciadas de mel e caramelo, seguidas por um matiz floral que evoca o perfume da flor da ameixeira vermelha (méihuā). Nos graus superiores, percebe-se uma sutil nota de orquídea (兰花香) e uma nuance ligeiramente defumada de resina de pinheiro, muito delicada.
  • Aroma da infusão: Elevado e persistente, combinando a doçura do mel, a floralidade da ameixeira vermelha e nuances de frutas maduras. O aroma desdobra-se em várias ondas: nas primeiras infusões, uma viva nota floral; nas intermediárias, um tom quente de mel e caramelo; nas finais, uma suave madeira doce.
  • Sabor: Encorpado e denso, com doçura natural pronunciada e textura “aveludada”. Notam-se no paladar o mel maduro, frutas vermelhas e caramelo. A adstringência é suave e agradável, convertendo-se rapidamente em um retrogosto doce e prolongado (回甘, huígān). Os lotes superiores apresentam o característico “sabor de guìyuán” (桂圆汤味) — uma doçura arredondada que lembra a longan.
  • Cor da infusão: Vermelho-vivo, cintilante, transparente e límpido, com um anel dourado característico na borda da xícara (金圈, jīnquān) — sinal de alto teor de teaflavinas e indicador de qualidade.
  • Folha infundida (dǐyè): Vermelho-brilhante, uniformemente corada, folhas tenras, íntegras, que se abrem como pequenas “flores” (红艳成朵). Nos graus superiores, são macias, elásticas e com brilho evidente.

7. Composição Química:

  • Polifenóis: O teor de polifenóis na matéria-prima é de cerca de 25,6% (em base seca). Durante a fermentação completa, grande parte das catequinas transforma-se em teaflavinas (茶黄素, cháhuángsù) e tearrubiginas (茶红素, cháhóngsù), as quais conferem a cor vermelha à infusão, a textura “aveludada” e o anel dourado. A proporção entre teaflavinas e tearrubiginas é um indicador-chave de qualidade: quanto maior a fração de teaflavinas, mais brilhante e “viva” é a infusão. O conteúdo total de produtos de oxidação dos polifenóis corresponde a 5–15% da massa seca.
  • Aminoácidos: Teor total de cerca de 3,5%, relativamente elevado para um chá vermelho. A L-teanina (L-茶氨酸) proporciona a doçura natural, a suavidade do sabor e a “sensação de frescor” (鲜爽感). O alto teor de aminoácidos está relacionado à matéria-prima de qualidade proveniente da variedade populacional dos arbustos de Lóngjǐng.
  • Alcaloides: Cafeína (咖啡碱) — 2–4% da massa seca, responsável pelo efeito tonificante. Teobromina e teofilina estão presentes em menores quantidades, complementando a ação estimulante suave.
  • Catequinas: Teor total de catequinas na matéria-prima original — cerca de 11,3%. Após a fermentação, uma parte substancial se transforma, mas as catequinas residuais preservam o potencial antioxidante.
  • Compostos voláteis aromáticos: Componentes-chave do aroma — linalol (芳樟醇, fāngzhāngchún), geraniol (香叶醇, xiāngyèchún), benzaldeído, fenilacetaldeído e salicilato de metila. É a combinação desses compostos que cria o perfil aromático típico “méihuā-mel”.
  • Vitaminas: Vitaminas C (parcialmente degradada na fermentação), B₁, B₂, P (rutina), PP (ácido nicotínico).
  • Minerais: Potássio, magnésio, cálcio, manganês, zinco, flúor, selênio.

8. Propriedades Benéficas:

  • Efeito tonificante e cognitivo: A combinação de cafeína e L-teanina proporciona um estado de alerta suave e estável, sem picos bruscos de excitação, melhorando a concentração e a velocidade de reação.
  • Defesa antioxidante: Teaflavinas, tearrubiginas e catequinas residuais neutralizam radicais livres, reduzindo o estresse oxidativo celular.
  • Suporte digestivo: Polifenóis e ácidos orgânicos do chá estimulam suavemente a secreção de suco gástrico e a motilidade gastrointestinal, facilitando a digestão de alimentos gordurosos. O chá vermelho morno é confortável para o estômago.
  • Suporte cardiovascular: Estudos indicam que o consumo regular e moderado de chá vermelho pode contribuir para a redução dos níveis de colesterol LDL e para a melhora da elasticidade vascular.
  • Ação antibacteriana: Os polifenóis inibem o crescimento de diversas bactérias patogênicas, auxiliando na imunidade e na saúde bucal.
  • Efeito aquecedor: Na dietética chinesa, o chá vermelho é tradicionalmente considerado de natureza “morna” (性温) e é recomendado a pessoas de constituição “fria”, no período outono-inverno e para a recuperação das energias.
  • Bem-estar emocional: A L-teanina possui uma leve ação ansiolítica, e o aroma quente e adocicado de méihuā exerce um efeito sensorial relaxante.

9. Preparo:

  • Temperatura da água: 90–95°C. Para lotes de primavera especialmente delicados, com alta proporção de tips, pode-se reduzir para 85–90°C.
  • Quantidade de chá: 4–5 g para 100–120 ml (método gōngfū); 2–3 g para 200–250 ml (infusão em xícara ou estilo ocidental).
  • Utensílios: Gaiwan de porcelana branca (盖碗) com capacidade de 100–120 ml é ideal para revelar o aroma e observar a cor da infusão. Um bule de porcelana também é adequado. Um copo de vidro transparente permite apreciar a “dança” das finíssimas folhas. Para lotes encorpados e de torção firme, admite-se um bule de argila púrpura de Yīxīng.
  • Procedimento:
    1. Aqueça o gaiwan ou bule com água fervente e descarte a água.
    2. Coloque o chá, balance o utensílio levemente para que o calor desperte o aroma da folha seca — inspire e avalie.
    3. Lavagem (润茶): opcional — infusão rápida de 1–2 segundos para “despertar” a folha.
    4. Primeira infusão: verta a água, deixe em infusão por 5–8 segundos, coe para o chá hǎi (公道杯).
    5. Infusões seguintes: aumente o tempo em 3–5 segundos a cada rodada.
    6. Número de infusões: 6–8 infusões plenas para um chá de qualidade; os melhores lotes suportam até 10.
    7. No estilo ocidental: 2–3 g para uma xícara de 200 ml, infusão de 3–4 minutos.

10. Armazenamento:

O Jiǔqū Hóng Méi é um chá completamente fermentado, o que lhe confere boa estabilidade de armazenamento, embora exija cuidados básicos. Deve ser guardado em recipiente hermético (saco laminado interno dentro de lata de folha-de-flandres ou estanho), protegido da luz, umidade e odores externos. A temperatura ideal é de 10–25°C; o armazenamento em geladeira não é necessário nem recomendado. O prazo de validade em condições adequadas é de 18–24 meses; durante esse período, o chá conserva frescor e vivacidade aromática. Alguns lotes encorpados, com grau mais alto de torrefação, melhoram com o “descanso” de até 2–3 anos: o aroma torna-se mais profundo e o sabor, mais arredondado. Após a abertura da embalagem, recomenda-se consumir o chá em 2–3 meses.

11. Preço e Falsificações:

A faixa de preço do Jiǔqū Hóng Méi é bastante ampla. Valores aproximados no mercado interno chinês: grau especial (特级) — a partir de 700 yuans por 500 g; primeiro grau (一级) — cerca de 400 yuans; segundo grau (二级) — cerca de 250 yuans. O preço é influenciado por: terroir (o chá do monte Dàwù é mais caro), estação e padrão de colheita (proporção de tips), processamento manual ou mecânico, idade dos arbustos (árvores antigas — segmento premium), status de premiação e vínculo de marca.

  • Como evitar falsificações:
    1. Adquira de fornecedores confiáveis, com origem comprovada na região de Shuāngpǔ, Xīhú.
    2. Avalie a forma: o autêntico Jiǔqū Hóng Méi possui uma forma única, finíssima e “em gancho”; as folhas se entrelaçam quando colhidas — essa característica é difícil de imitar.
    3. O aroma deve ser limpo, nobre, com notas de méihuā e mel, sem agressividade química ou mofo.
    4. A infusão é vermelho-viva, translúcida, com anel dourado nítido; uma infusão turva ou baça indica baixa qualidade.
    5. Um preço suspeitamente baixo para um grau “premiado” ou “especial” é sinal claro de substituição.

12. Curiosidades:

  • O Jiǔqū Hóng Méi é um dos raros chás vermelhos cuja matéria-prima provém dos mesmos arbustos que dão origem ao famoso chá verde Xīhú Lóngjǐng. Assim, “um vermelho, um verde” (一红一绿) é literalmente dois chás de uma mesma plantação, mas com tecnologias de processamento diametralmente opostas.

  • A tradição folclórica local da região de Língshān preserva uma bela lenda: um menino chamado Ālóng (阿龙, “Pequeno Dragão”) engoliu acidentalmente uma pérola mágica e se transformou em um dragão negro (乌龙). Incapaz de se separar dos pais, a cada curva ele olhava para trás enquanto descia pelo riacho — assim formou-se o sinuoso ribeirão das “nove curvas”. Posteriormente, o chá vermelho produzido às suas margens recebeu o nome de “Jiǔqū Wūlóng” e, mais tarde, “Jiǔqū Hóng Méi” — pelo aroma semelhante à flor da ameixeira.

  • Na cúpula do G20 em Hangzhou (2016) e na terceira e quarta Conferências Mundiais da Internet em Wūzhèn, este chá foi selecionado como bebida oficial de protocolo, representando o chá vermelho de Hangzhou para os líderes mundiais.

  • A técnica de produção do Jiǔqū Hóng Méi integra o registro de patrimônio cultural imaterial da província de Zhejiang (2009), o que sublinha seu valor como tradição artesanal viva.

  • O célebre mestre budista e iluminista Hóngyī (Lǐ Shūtóng, 1880–1942), uma das figuras culturais mais brilhantes do início da China republicana, deixou um dístico poético dedicado a este chá, que se tornou sua “assinatura”.

13. Comparação com outros chás vermelhos:

  • Zhèngshān Xiǎozhǒng (正山小种, Zhèngshān Xiǎozhǒng): Chá vermelho das Montanhas Wǔyí, em Fujian — berço da tradição que deu origem ao Jiǔqū Hóng Méi. O Xiǎozhǒng, especialmente na versão defumada, distingue-se pelo pronunciado aroma de resina de pinheiro (松烟香) e um corpo mais denso e oleoso. O Jiǔqū Hóng Méi é um chá consideravelmente mais elegante e “perfumado”: seu aroma é mais sutil, o corpo mais leve e a forma da folha é única.

  • Qí Hóng (祁红, Qí Hóng) — Qímén Hóngchá: Celebre chá vermelho de Ānhuī. O Qí Hóng é famoso pelo “aroma de Qímén” (祁门香) — orquidáceo-frutado, com notas de rosa. Em comparação com o Jiǔqū Hóng Méi, a forma de sua folha é mais padronizada (tiras finas e retas), o sabor é mais macio e menos “melado”. O Jiǔqū Hóng Méi supera-o em extravagância visual da forma, e seu perfil aromático tende para o “méihuā-mel”, contra a “rosa-orquídea” do Qí Hóng.

  • Diānhóng (滇红, Diānhóng): Chá vermelho de Yúnnán, da variedade de folhas grandes Camellia sinensis var. assamica. O Diānhóng é potente, de corpo cheio, com notas de cacau e frutas secas, e tips douradas. O Jiǔqū Hóng Méi é seu oposto absoluto: delicado, refinado, com graciosa forma “prateada” e textura mais leve, proveniente da variedade de folhas pequenas.

  • Jiǔcéng Shān Hóngchá (九层山红茶): Chá vermelho contemporâneo de Taiwan, produzido em altitudes elevadas. Distingue-se por uma doçura frutada mais pronunciada e uma frescura “montanhesa”, típica dos terroirs taiwaneses. O Jiǔqū Hóng Méi tem caráter mais “clássico”, com ênfase no aroma de méihuā e na torção artesanal.

Em conclusão:

O Jiǔqū Hóng Méi é um chá-paradoxo: nascido de refugiados do devastado Wǔyí, encontrou sua própria identidade às margens do Qiántáng Jiāng, sobreviveu à era do esquecimento e retornou ao palco mundial como bebida protocolar das maiores cimeiras internacionais. Suas finíssimas folhas enroladas em espirais prateadas, sua infusão cor de rubi com anel dourado e seu aroma multifacetado — da primeira onda floral de méihuā ao cálido final de mel — criam uma experiência de chá simultaneamente refinada e profunda. Este chá é ideal para aqueles que valorizam no chá vermelho não a potência e a rudeza, mas a elegância, a complexidade e a história. Junto com seu eterno parceiro — o verde Xīhú Lóngjǐng — o Jiǔqū Hóng Méi forma uma dupla harmoniosa que encarna a plenitude da cultura do chá da antiga capital dos Song do Sul.