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Jin Jun Mei

Jīn jùn méi · 金骏眉

Jin Jun Mei (金骏眉, jīn jùn méi) é o ápice do moderno chá vermelho chinês, criado em 2005 com base na tradição de quatro séculos do Zheng Shan Xiao Zhong. Este chá, feito exclusivamente com os botões mais tenros de chazeiros silvestres da zona protegida de Tongmu, em poucos anos revolucionou a percepção do chá vermelho…

Jin Jun Mei (金骏眉, jīn jùn méi) é o ápice do moderno chá vermelho chinês, criado em 2005 com base na tradição de quatro séculos do Zheng Shan Xiao Zhong. Este chá, feito exclusivamente com os botões mais tenros de chazeiros silvestres da zona protegida de Tongmu, em poucos anos revolucionou a percepção do chá vermelho na China e tornou-se o símbolo de uma nova geração de hóngchá de elite.

1. Classificação e Origem:

  • Tipo: Chá vermelho (红茶, hóngchá), completamente oxidado; na classificação europeia, chá preto. Grau de fermentação: 80–90%.
  • Categoria: Chá vermelho de botão, de elite. Desde 2013, “Jin Jun Mei” é reconhecido como denominação de uso comum (通用名称, tōngyòng míngchēng) — a par de Tieguanyin, Biluochun e Dahongpao — por decisão do Tribunal Popular Superior de Pequim.
  • Origem: China, província de Fujian (福建省, Fújiàn Shěng), municipalidade de Nanping (南平市, Nánpíng Shì), cidade-distrito de Wuyishan (武夷山市, Wǔyíshān Shì), vila de Tongmu (桐木村, Tóngmù Cūn), dentro da Reserva Natural Nacional de Wuyishan (武夷山国家级自然保护区). Tongmu é o berço histórico de todos os chás vermelhos do mundo: foi ali que, há mais de 400 anos, se criou o Zheng Shan Xiao Zhong (Lapsang Souchong).
  • Coordenadas geográficas: aproximadamente 27°44′ N, 117°38′ E.
  • Nomes alternativos: Na série “Jun Mei” (骏眉) existem três graduações: Jin Jun Mei (金骏眉, “sobrancelhas douradas”) — apenas botões; Yin Jun Mei (银骏眉, “sobrancelhas prateadas”) — um botão com uma folha; Tong Jun Mei (铜骏眉, “sobrancelhas de bronze”) — um botão com duas folhas.

2. História e Significado Cultural:

  • História: Jin Jun Mei é um dos chás famosos mais jovens da China. Sua história começa no verão de 2005, quando um grupo de apreciadores de chá de Pequim — Zhang Mengjiang (张孟江), Yan Yifeng (阎翼峰) e Ma Baoshan (马宝山) — propôs ao diretor da empresa “Zhengshan Chaye” (正山茶业), Jiang Yuanxun (江元勋), que fabricasse “o melhor chá vermelho, superior ao grau mais alto de Zheng Shan Xiao Zhong”. Jiang Yuanxun, herdeiro do Zheng Shan Xiao Zhong na 24ª geração, confiou a tarefa a um grupo de mestres chaceteiros — Jiang Junsheng (江骏生), Jiang Junfa (江骏发), Liang Junde (梁骏德), Wen Yongsheng (温永胜) e outros. O primeiro lote experimental — cerca de meio jin (250 g) de chá seco obtido de 1,5 jin (750 g) de botões frescos — foi produzido por Liang Junde em 21–22 de junho de 2005. O resultado superou as expectativas: o chá possuía um aroma de mel e frutas nunca visto num hóngchá e uma doçura sedosa. Em 2006, sob a orientação dos patriarcas do chá Zhang Tianfu (张天福) e Luo Shaojun (骆少君), a tecnologia foi aperfeiçoada e estabilizada. Em 2008, o Jin Jun Mei entrou oficialmente no mercado, tornando-se instantaneamente uma sensação e reavivando o interesse pelo chá vermelho em toda a China. Entre 2007 e 2013, travou-se a “disputa da marca registrada”: por fim, o tribunal de Pequim decidiu que “Jin Jun Mei” é uma denominação de uso comum, não passível de registro como marca exclusiva.

  • Nome: Cada ideograma carrega um significado:

    • “Jin” (金) — “ouro”. Segundo Jiang Yuanxun: remete à preciosidade da matéria-prima, à cor dourada das pontas e ao tom âmbar-dourado da infusão.
    • “Jun” (骏) — “cavalo nobre”, “magnífico”. Existem várias versões: (1) os nomes de três mestres criadores — Jiang Junsheng, Jiang Junfa, Liang Junde — contêm esse ideograma; (2) a matéria-prima é colhida “percorrendo montanhas íngremes” (崇山峻岭, chóngshān jùnlǐng); (3) o desejo de que o chá “saltasse” para o mercado como um belo corcel.
    • “Mei” (眉) — “sobrancelhas”. Descreve a forma característica dos botões secos — fina, ligeiramente curvada, lembrando uma sobrancelha bem delineada.
  • Significado cultural: O surgimento do Jin Jun Mei alterou radicalmente o panorama do mercado de chá vermelho na China. Até 2005, a grande maioria dos hóngchá chineses de qualidade destinava-se à exportação; o mercado interno estava voltado para os chás verdes e oolongs. O Jin Jun Mei provou que o chá vermelho pode ser igualmente refinado e multifacetado, desencadeando uma onda de “renascimento do hóngchá” (红茶复兴). O chá tornou-se um presente cobiçado, um objeto de coleção e um símbolo do novo status do chá vermelho chinês.

3. Descrição Botânica e Matéria-Prima:

  • Variedade / Cultivar: População local silvestre ou semi-silvestre de chazeiro de folha pequena, conhecida como Qizhong (奇种, Qízhǒng) ou Caicha (菜茶, Càichá) — Camellia sinensis var. sinensis. Trata-se de uma população heterogênea (por semente) que cresce há séculos nos altiplanos da reserva de Wuyishan. Cada arbusto é geneticamente único, gerando um perfil aromático inimitável. As formas de folha pequena distinguem-se pelo maior teor de aminoácidos e menor teor de polifenóis do chá e cafeína, em comparação com as de folha grande (var. assamica), o que confere ao Jin Jun Mei sua doçura característica e a ausência de amargor.
  • Colheita: Início da primavera — do começo de abril (após o Qingming) até o início de maio (antes do Lixia). O período ideal é a segunda e a terceira dezena de abril. A colheita de botões mais tardios (junho) resulta numa infusão visivelmente mais leve e menos encorpada. A colheita é realizada exclusivamente à mão, em tempo seco, nas primeiras horas da manhã.
  • Padrão de colheita: Somente botões não abertos, compactos, carnudos (单芽, dān yá), cobertos por uma penugem fina. Essa é a diferença fundamental do Jin Jun Mei em relação à imensa maioria dos chás vermelhos. Para obter 500 g de chá seco, são necessários entre 60 mil e 80 mil botões frescos (segundo os cálculos de Yan Yifeng, cerca de 48 mil para um jin de chá seco).
  • Exigências para a matéria-prima: Os botões devem estar íntegros, sem danos, de tamanho uniforme, sem vestígios de traumatismos mecânicos ou escurecimentos. O intervalo entre a colheita e o início do processamento é reduzido ao mínimo.

4. Terroir e Características do Cultivo:

  • Reserva de Wuyishan: Reserva natural nacional com 565 km², situada na confluência das províncias de Fujian e Jiangxi. Inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO (1999) como bem misto de valor natural e cultural. As montanhas são formadas predominantemente por arenito vermelho e rochas vulcânicas; a paisagem compõe-se de gargantas íngremes, cachoeiras, rios e florestas subtropicais de excepcional biodiversidade.
  • Vila de Tongmu: Coração histórico da cultura do chá vermelho, localizada no interior da reserva. Os chazeiros crescem em estado semi-silvestre e silvestre, sob o dossel da floresta, em encostas íngremes.
  • Altitude de cultivo: 1.000–1.800 m acima do nível do mar. Os melhores lotes provêm de altitudes entre 1.200 e 1.500 m.
  • Clima: Subtropical montanhoso de monções. Temperatura média anual ~11–18°C (dependendo da altitude). Precipitação média anual: 2.000–2.300 mm. Umidade relativa do ar: 80–85%. Neblina em mais de 100 dias por ano. Invernos amenos, verão pouco quente — a temperatura máxima raramente ultrapassa os 33°C. A significativa amplitude térmica diurna favorece o acúmulo de aminoácidos e compostos aromáticos.
  • Solos: Solos de montanha vermelhos e amarelos, ácidos (pH 4,5–5,5), ricos em matéria orgânica e minerais, com elevados teores de ferro e manganês. Bem drenados, com fragmentos de arenito intemperizado e cascalho. A reação ácida do solo é ideal para as plantas de chá.

5. Tecnologia de Produção:

A tecnologia do Jin Jun Mei baseia-se na tradição do Zheng Shan Xiao Zhong, mas com inovações fundamentais: exclui-se completamente a defumação sobre lenha de pinheiro, e todas as etapas são adaptadas à fragilidade da matéria-prima em botão. Todo o processo é manual e exige altíssima qualificação do mestre.

  • Colheita (采摘 — cǎizhāi): Colheita manual apenas de botões fechados. Os colhedores trabalham em encostas íngremes; num dia, um trabalhador experiente pode colher apenas algumas centenas de gramas de matéria fresca.
  • Murchamento (萎凋 — wěidiāo): Os botões colhidos são dispostos em camada fina sobre bandejas de bambu, em local bem ventilado. A inovação-chave é o controle de temperatura e umidade (温湿调控, wēn shī tiáokòng): o mestre alterna o murchamento natural e o morno, buscando uma perda de ~60–65% de umidade. Duração: 8–14 horas, conforme o clima. Os botões tornam-se macios, elásticos, e inicia-se a formação primária do aroma.
  • Enrolamento (揉捻 — róuniǎn):* Exclusivamente manual, muito delicado. O objetivo não é tanto enrolar a folha seca, mas sim lesionar levemente as paredes celulares para uma oxidação uniforme. A pressão é mínima, com movimentos suaves e circulares. O enrolamento excessivo é inadmissível: botões danificados conferem sabor áspero e cor baça.
  • Fermentação / Oxidação (发酵 — fājiào):* Os botões enrolados são colocados em bandejas ou cestos de bambu e deixados em temperatura controlada (~25–28°C) e umidade (~90–95%) por 3–5 horas. O mestre determina o ponto pelo aspecto visual (passagem do esverdeado para o vermelho-acobreado) e pelo aroma (surgimento de notas acentuadas de mel e frutas, o chamado “aroma de mel” já na etapa de fermentação — traço distintivo do autêntico Jin Jun Mei de Tongmu).
  • Secagem / Torrefação sobre carvão (炭焙 — tànbèi):* Secagem tradicional em cestos de bambu sobre carvão de acácia (槐炭, huái tàn). Entre o carvão e o chá é colocada uma folha de papel Liansizhi (连四纸) do distrito de Yanshan (província de Jiangxi). A secagem ocorre em duas etapas: Maohuo (毛火, “fogo preliminar”) — a ~110°C por ~1,5 hora, seguido de resfriamento; e Zuhuo (足火, “fogo suficiente”) — a ~130°C por ~30 minutos. Umidade residual do chá pronto: 3–4%. A torrefação sobre carvão fixa o aroma e confere ao chá um sabor límpido, “transparente”, sem notas defumadas.
  • Seleção (分级 — fēnjí):* Escolha manual final — remoção de botões quebrados e impurezas. Uniformização do lote por tamanho, forma e cor.

6. Características Organolépticas:

  • Aparência da folha seca:* Botões finos, compactos, íntegros, com nítida forma “de sobrancelha” (海马状, “em forma de cavalo-marinho” — descrição autoral de Jiang Yuanxun). O sinal fundamental do autêntico Jin Jun Mei de Tongmu é a tricromia de cada botão individual: dourado (da penugem), marrom-amarelado e preto — todas as três nuances coexistem. Botões inteiramente dourados são, em regra, indício de chá de outras regiões, não de Tongmu.
  • Aroma da folha seca:* Limpo, encorpado, doce, com pronunciadas notas de mel, matizes de longan (龙眼), lichia, pêssego maduro, flores (rosa, orquídea). Sutis tons de chocolate e malte. Aroma persistente, que se revela gradualmente. Sinal de autenticidade: o mel já é perceptível na folha seca.
  • Aroma da infusão:* Profundo, envolvente. Nas primeiras infusões — intenso complexo frutado e de mel (longan, lichia). Nas intermediárias — tons florais, caramelo quente. Nas finais — doçura pura com leve nota amadeirada. O aroma que permanece na xícara (挂杯香, guà bēi xiāng) é persistente, duradouro, melado-floral.
  • Sabor:* Incrivelmente macio, liso, sedoso. Total ausência de amargor e de adstringência grosseira. As dominantes são a doçura natural floral e de mel, notas frutadas (longan, lichia, pêssego, damasco seco), leves nuances de malte e chocolate. Corpo de densidade média, mas muito arredondado, “amanteigado”. Expressivo “retorno doce” (回甘, huígān). Final de boca prolongado, limpo, melado-frutado, com sensação refrescante na garganta. Com a infusão correta, a doçura se mantém por 12 ou mais extrações.
  • Cor da infusão:* Brilhante âmbar-dourada, por vezes com matiz laranja-acobreado, límpida e transparente. Ao esfriar, pode formar-se na borda da xícara o característico “anel dourado” — sinal de alto teor de teaflavinas.
  • Folha úmida (folhas infundidas):* Botões íntegros, elásticos, não abertos, que conservam a forma. Coloração uniforme, vermelho-acobreada com reflexo dourado. Botões flexíveis, homogêneos no tamanho. A ausência de fragmentos quebrados ou escurecidos é indicativo de qualidade.

7. Composição Química:

O Jin Jun Mei distingue-se da maioria dos chás vermelhos por uma relação favorável entre os principais grupos de substâncias: elevado teor de aminoácidos e moderado de polifenóis do chá e cafeína, devido ao uso da variedade de folha pequena Qizhong de altitude elevada.

  • Polifenóis (茶多酚):* 10–20% do peso seco. Durante a fermentação completa, grande parte das catequinas converte-se em teaflavinas (茶黄素, 0,4–2%) e tearubiginas (茶红素, 5–11%) — são elas que formam a cor âmbar-dourada da infusão, a “veludosidade” do sabor e a capacidade de gerar o “anel dourado”. Teor de teabrowninas (茶褐素): 3–9%.
  • Aminoácidos (氨基酸):* 1,5–4% do peso seco, mais de 20 variedades. Destaca-se a L-teanina (L-茶氨酸) — 1,5–2,2%, responsável pela doçura e maciez marcantes do sabor, bem como pelo efeito relaxante. A origem em montanha elevada aumenta a proporção de aminoácidos em relação aos polifenóis.
  • Alcaloides:* Cafeína (咖啡碱) — 3–5% do peso seco (na xícara, ~20–60 mg conforme a dosagem e o tempo de extração). Também estão presentes teobromina e teofilina em pequenas quantidades.
  • Vitaminas:* C, B₁, B₂, B₃ (PP), E, K. A vitamina C se conserva parcialmente apesar da fermentação, graças ao regime delicado de processamento.
  • Minerais:* Cerca de 30 elementos. Principais: potássio (~50% da fração mineral total), fósforo (~15%), cálcio, magnésio, ferro, manganês, flúor. Oligoelementos: zinco, cobre, selênio.
  • Óleos essenciais e compostos aromáticos voláteis (芳香油):* ~0,02% — formam o perfil único de frutas, mel e flores. Linalol, geraniol, fenilacetaldeído, metilsalicilato e outros componentes.
  • Outros:* Açúcares solúveis — 2–4%, pectina hidrossolúvel — 1–2%, ácidos orgânicos — ~1%.

8. Propriedades Benéficas:

  • Tonificação suave e suporte cognitivo:* A cafeína combinada com a L-teanina proporciona um tônus estável e equilibrado, sem ansiedade — o chamado efeito de “alerta tranquilo”. Melhora a concentração e a função cognitiva.
  • Ação antioxidante:* As teaflavinas e as tearubiginas possuem notável capacidade de neutralizar radicais livres, protegendo as células do estresse oxidativo.
  • Suporte ao sistema cardiovascular:* Os compostos polifenólicos contribuem para a elasticidade dos vasos, podem influenciar o nível de colesterol LDL e favorecer a normalização da pressão arterial. As teaflavinas dilatam os capilares e melhoram a microcirculação.
  • Digestão confortável:* O chá vermelho de fermentação completa age suavemente sobre a mucosa gástrica, estimula o peristaltismo e a secreção de enzimas digestivas. Tradicionalmente, é recomendado após refeições abundantes.
  • Ação antibacteriana e anti-inflamatória:* Os polifenóis e os taninos do chá inibem o crescimento de bactérias patogênicas, auxiliando a saúde bucal.
  • Efeito calmante e antiestresse:* O alto teor de L-teanina estimula a geração de ondas cerebrais α, promovendo um estado de concentração relaxada.
  • Efeito aquecedor:* O chá vermelho totalmente fermentado possui natureza “morna” segundo os cânones da medicina tradicional chinesa, sendo adequado para pessoas de constituição “fria” e para o consumo no inverno.

9. Infusão:

  • Temperatura da água: 90–100°C. O Jin Jun Mei de Tongmu de alta qualidade “não teme” a água fervente — é o aquecimento pleno que revela a profundidade do aroma e a doçura. Para lotes delicados ou para um primeiro contato, pode-se começar com 85–90°C.
  • Quantidade de chá: 3–5 g para 100–120 ml (método gongfu); 2–3 g para 200–250 ml (método europeu).
  • Acessórios: Ideal é o gaiwan de porcelana (盖碗) com capacidade de 100–120 ml: o material neutro não absorve o aroma e permite controlar com precisão o tempo de infusão. O gaiwan ou bule de vidro possibilita observar a dança dos botões que se abrem. Um bule de Yixing (宜兴紫砂壶) também é adequado, mas convém dedicar um bule novo exclusivamente a este chá, para evitar a mistura de aromas. É indispensável o chahai (公道杯, “jarro da justiça”).
  • Procedimento:
    1. Aquecimento dos utensílios: Enxaguar o gaiwan, o chahai e as xícaras com água fervente.
    2. Colocação do chá: Dispor 3–5 g de botões no gaiwan aquecido. Apreciar o aroma da folha seca no recipiente quente.
    3. Lavagem (润茶 — rùn chá): Infusão rápida de 1–2 segundos — “despertar” dos botões. Descartar a água. Esta etapa não é obrigatória para o Jin Jun Mei — muitos mestres recomendam omiti-la para não perder a intensidade da primeira infusão.
    4. Primeira infusão: Adicionar a água cuidadosamente pela parede do gaiwan (não diretamente sobre os botões), para não danificar a penugem. Tempo de infusão: 5–10 segundos.
    5. Escorrer: Verter completamente a infusão no chahai e, em seguida, do chahai para as xícaras. Não deixar água em contato com o chá entre as infusões.
    6. Infusões subsequentes: 8–12 extrações (alguns lotes suportam até 15). Aumentar o tempo em 3–5 segundos a cada nova infusão. Nas infusões intermediárias (4–7), o chá frequentemente se revela de forma mais plena. Nas infusões finais, o tempo pode ser ampliado para 30–60 segundos.

10. Armazenamento:

  • Recipiente: Embalagem hermética e opaca — lata de folha-de-flandres, saco aluminizado com fecho zip, frasco cerâmico para chá. Limitar ao máximo o contato com o ar.
  • Condições: Local seco, fresco, longe da luz solar direta, de fontes de calor e de odores fortes. Temperatura: 10–25°C. Umidade: não superior a 60%.
  • Prazo de validade: Ideal consumir em 12–18 meses. Lotes de alta qualidade, quando bem armazenados, mantêm suas propriedades por até 2–3 anos, embora o chá fresco seja preferível.
  • Inimigos do chá: Luz, umidade, oxigênio, temperatura elevada, odores alheios. Não armazenar próximo a especiarias, café, perfumes.
  • Observação: Diferentemente dos chás verdes e amarelos, não é necessário armazenar o Jin Jun Mei na geladeira, e isso não é recomendado sem uma embalagem hermética confiável — o chá vermelho conserva-se bem em condições ambientes.

11. Preço e Falsificações:

O Jin Jun Mei é um dos chás vermelhos mais caros do mundo. O custo do autêntico Jin Jun Mei de Tongmu de produtores renomados (正山堂, 骏德茶厂) pode alcançar vários milhares de yuans por 500 g (de 3.000 a mais de 10.000 yuans). Fatores que determinam o preço elevado:

  • Extrema onerosidade da colheita: 60.000–80.000 botões para 500 g de chá seco, cada um colhido à mão em encostas íngremes.
  • Área de produção restrita: Matéria-prima autêntica somente da zona protegida de Tongmu, com 565 km².
  • Produção manual: Todas as etapas-chave são executadas manualmente pelo mestre.
  • Curta temporada de colheita: 2–3 semanas por ano.
  • Alta demanda: O Jin Jun Mei é um dos chás de presente e de status mais requisitados da China.

Como evitar falsificações:

  • Compre de vendedores confiáveis: Lojas especializadas em chá com origem documentada, idealmente direto do produtor de Tongmu.
  • Avalie a tricromia dos botões: O autêntico Jin Jun Mei de Tongmu apresenta dourado, marrom-amarelado e preto num mesmo botão. Botões inteiramente dourados são frequentemente chás de outras regiões (Yunnan, Sichuan, Guizhou), que utilizam cultivares de folha grande.
  • Verifique o aroma: Em seco — mel puro, sem agressividade química, mofo ou notas defumadas. O aroma melado deve persistir em cada infusão.
  • Observe a infusão: Âmbar-dourada, transparente, com o “anel dourado” na borda da xícara. Uma infusão turva ou vermelho-escura é sinal de substituição.
  • Desconfie de preços anormalmente baixos: O autêntico Jin Jun Mei de Tongmu não pode ser barato. Chá oferecido por 200–500 yuans / 500 g quase certamente é produzido com matéria-prima de outras regiões.

12. Fatos Interessantes:

  • O primeiro lote — meio jin: Historicamente, o primeiro lote experimental de Jin Jun Mei (junho de 2005) totalizou pouco menos de 250 gramas de chá seco. No dia seguinte, os mestres tentaram repetir o sucesso e “queimaram” o lote: a tecnologia de processamento de matéria exclusivamente em botão mostrou-se extremamente caprichosa. Somente no terceiro dia se obteve um resultado estável.
  • 137 jin em todo o ano de 2006: No segundo ano de existência do chá, toda a produção de Jin Jun Mei somou ~68,5 kg. O comerciante de chá de Pequim Sun Lianquan (孙连泉) comprou mais da metade — 40 kg ou mais — e os distribuiu pela capital, fazendo com que a elite de Pequim conhecesse a novidade. Foi exatamente isso que deflagrou a “corrida do ouro”.
  • 48.000 botões por jin: Segundo os cálculos de Yan Yifeng, um dos criadores do primeiro lote, em um jin (500 g) de Jin Jun Mei seco há cerca de 48.000 botões de chá.
  • Sete anos de batalhas judiciais pelo nome: A disputa pela marca “Jin Jun Mei” (2007–2013) envolveu dezenas de empresas de chá e dividiu os produtores de Tongmu em três facções. A decisão final — o reconhecimento como denominação de uso comum — repetiu o destino de Tieguanyin e Dahongpao.
  • Motor do “renascimento vermelho”: Antes do surgimento do Jin Jun Mei, muitos jardins de chá de Tongmu estavam sendo convertidos para a produção de oolongs devido à estagnação da demanda interna por hóngchá. O sucesso do Jin Jun Mei interrompeu esse processo e estimulou o surgimento de dezenas de novos chás vermelhos de elite em toda a China.

13. Comparação com outros chás vermelhos:

  • Zheng Shan Xiao Zhong (正山小种, Zhèng Shān Xiǎo Zhǒng): O “ancestral” direto do Jin Jun Mei. Produzido a partir de folhas maduras (um botão com duas a três folhas), tradicionalmente defumado sobre lenha de pinheiro (Lapsang Souchong defumado) ou sem defumação. Sabor mais denso, com acentuada nota de caramelo e malte e leve adstringência. O Jin Jun Mei é significativamente mais delicado e doce.
  • Qimen Hong Cha (祁门红茶, Qímén Hóngchá): Famoso chá vermelho do distrito de Qimen (Anhui). Famoso pelo singular “aroma Qimen” (祁门香) — orquídea, mel, frutas secas. Distingue-se do Jin Jun Mei pela infusão mais escura, cor de rubi, e pela adstringência ligeiramente mais pronunciada. É produzido a partir de folhas, não de botões.
  • Dian Hong Jin Ya (滇红金芽, Diānhóng Jīn Yá): Chá vermelho de Yunnan, de botões dourados de cultivar de folha grande (var. assamica). Visualmente parecido com o Jin Jun Mei (botões dourados), mas significativamente diferente: mais encorpado, saturado, com perfil de caramelo, chocolate e especiarias, com notável “carnalidade”. Em contraste, o Jin Jun Mei é mais fino, etéreo, com elegância frutada e melada.
  • Yin Jun Mei (银骏眉, Yín Jùn Méi): O “irmão mais novo” da mesma série — um botão com uma folha. Mais acessível em preço, ligeiramente menos requintado no aroma, com estrutura um pouco mais pronunciada e leve adstringência. Excelente alternativa para o consumo diário.

Em conclusão:

O Jin Jun Mei é, talvez, o exemplo mais brilhante de como uma tradição secular, multiplicada pela ousadia do inovador, é capaz de criar um fenômeno chá totalmente novo. Nascido no cruzamento dos quatrocentos anos de história do Lapsang Souchong com o espírito experimental dos mestres de Tongmu, este chá não apenas ocupou o nicho do “chá vermelho mais caro” — ele alterou o próprio paradigma: provou que o hóngchá pode ser tão complexo, profundo e multidimensional quanto os melhores oolongs e chás verdes.

Cada porção infundida de Jin Jun Mei é uma meditação na xícara: a doçura sedosa de mel das primeiras infusões, o buquê floral-frutado que se desdobra gradualmente, o final de boca puro e infinitamente longo ao qual se deseja retornar outra e outra vez. É um chá para a infusão pausada, consciente — e para aqueles que estão dispostos a ver, em uma única xícara, um mundo inteiro.